Antes demais, quero que saibam, que a motivação para começar este blog, veio de um filme que vi. O filme é "O Diário da nossa paixão": aluguem , comprem ... mas não se esqueçam de levar um pacotinho de lenços de papel.
Decorria o ano de 1999, estavamos em Setembro, as aulas à porta, 12º ano, um Verão complicado, um namoro ainda mais complicado... Naquela tarde recebi uma das muitas amigas que eram presença habitual em casa dos meus pais, a Ana Maria. Eu para não variar estava agarrada ao computador, a falar com meio mundo no "mirc". O nick era Solteirona, e embora, como atrás referi, tivesse namorado, sentia-me assim ... só... era como aquela definição, "sozinha no meio da multidão".
Naquele dia, a minha amiga pediu se poderia ver o email, eu disse que sim, e qual não foi o meu espanto, quando ela abriu o mail, as mensagens choviam!!! Questionei-a acerca da proveniência daquelas mensagens. Ela tinha colocado uma mensagem num site, e aquelas eram as pessoas que lhe estavam a responder. - "Devias fazer o mesmo!" disse-me. Desdobrei-me em motivos pelos quais não deveria fazê-lo, mas a curiosidade levou a melhor. Bem explícito no anuncio, ficou a intenção de unicamente servir para fazer novas amizades.
Na realidade, estava a ser uma "avestruz", sabia bem que a minha relação não tinha futuro, sabia bem que a minha posição era de conforto de uma relação até então de 10 meses, e o pânico de ficar sozinha... de novo. E também, não posso negar, uma vergonha imensa, de enfrentar a familia e dizer -"Falhei, mais uma vez não deu certo!". Era uma relação estranha, não nos davamos bem, discutiamos muito, fizemos coisas horriveis um ao outro, mas penso que os dois tinhamos medo da solidão.
Tinha 18 anos, uma criança? Não, a minha infancia não existiu! Os motivos para isso dariam um novo blog. Vou apenas dizer-vos que, com 18 anos, não sabia o que era o amor... frase clichê?... não... eu sou fruto de uma relação problemática e sem amor... não sabia mesmo o que era ser amada, embora na altura acreditasse que o era.... um dia explico. Tinha amigos, esses sim, alguns, embora também estivesse iludida que fossem todos, eram mesmo uma forma de amor.
No dia seguinte, nem queria acreditar naquilo que via, o meu mail estava repleto de mensagens, e enquanto que as primeiras vinte ou trinta foram respondidas, as outras foram maior parte delas despachadas, simplesmente apagadas sem direito a resposta, estava farta de tanta idiotice junta... era convites descarados para relações mais íntimas, convites para jantar... descrições do tipo "nome, idade , altura, localidade" eram mais que muitas. Farta delas, não respondia, apagava. Honestamente, não via qualquer justificação, para me estarem a dar uma descrição física, quando na realidade o que eu procurava era uma alma, não um corpo. Farta de tanta resposta igual, deparei-me com uma que dizia "Chamo-me João, tenho 21 anos, 174cm , olhos verdes e sou de Odivelas". Eu, bruta que nem uma porta, de tão farta que estava de ver a mesma história, mail após mail, respondi: "Parabéns para ti! Que me interessa como és fisicamente, eu quero é saber como realmente és!". E enviei, esperando nunca mais obter resposta!
Hoje, olho para trás, e penso que se naquele dia 22 de Setembro, eu tivesse apagado mais aquela mensagem, como tantas que eu apaguei... como estaria a minha vida agora? Se ele não tivesse optado por responder à minha brutíssima resposta...
O João, de 22 anos, 174cm, olhos verdes, de Odivelas, respondeu... eu respondi, e conhecemos a alma um do outro. Não havia segundas intenções de nenhuma das partes, eu era comprometida, ele estava apaixonado por alguem que não correspodia. Correram kilómetros de palavras entre os dois, confidências foram trocadas. Dei por mim a chegar ao computador e procurar freneticamente por ele na internet... tinha que lhe contar a última novidade.... tinha que lhe contar aquele segredo... tinha de desabafar mais uma maldade feita ou sofrida.
Foi assim que tudo começou... por uma grande e virtual amizade.
Quanto tempo de sofrimento poupariamos se soubessemos todas as respostas? Agradeço a Deus todos os momentos que tive de sofrer no passado, para poder avaliar o que é ser feliz!
Neste momento o João ainda não sabe da existência deste blog, não sei quando irei dizer-lhe. Vou escrever mais um pouco, contar um pouco mais, e um dia destes dir-lhe-ei.
Obrigada por estares sempre ao meu lado João.... amo-te!
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