Chegou o mês de Dezembro, continuávamos a falar diariamente na internet. Eu continuava a namorar, o João não falava muito da rapariga por quem estaria apaixonado. Eu desabafava muito com ele sobre as coisas que fazia, e que me faziam.
Lembro-me, de a certa altura, o João me ter perguntado se era normal que todas as raparigas porreiras se apaixonassem por "bestas". Não era que o meu namorado da altura fosse bom, que não era, mas hoje, olhando para trás, vejo que a culpa de tudo era dos dois. Era o típico problema de nenhum dos dois saber colocar um ponto final definitivo.
Existem datas, que nos acompanham por toda a vida. Existem pessoas, que conhecemos numa noite, e que ficam na nossa memória para o resto das nossas vidas. A data foi 12 de Dezembro, a pessoa chamava-se Carlos.
Dia 12 de Dezembro, fui a casa de um amigo de longa data, o Duarte. Já era amiga dele há alguns anos, tinhamos mais de trinta anos de diferença, mas para mim o Duarte era uma mistura de Pai, irmão, amigo, confidente. Ia a casa dele assiduamente, por ser muito perto, ia com a roupa que tivesse vestida. Naquele dia sei que ia com uma t-shirt desengonçada e com umas calças de fato de treino dignas de terem entrado na reforma. Sentei-me no sofá, puxei de um cigarro, e comecei a falar com o Duarte, já não me lembro bem de quê. Minutos depois a campainha tocou, era o Augusto, amigo do Duarte há muitos anos, e com ele um homem muito charmoso, cerca de 30 anos ... o Carlos. Não me lembro como foi, nem por que foi, dei comigo a contar tudo o que se passava na minha vida ao Carlos, dei comigo a ser ensinada a dançar, que ele bem tentou, mas eu sou "pés de chumbo". E depois de horas e horas de conversa, foi-me feita uma observação: -"Porque insistes numa relação que não tem futuro? Só podes encontrar melhor do que tens, e se calhar, porque estás envolvida nessa relação, não estás a ver que se calhar alguém já olha para ti de uma maneira diferente!"
Pode parecer estupido, mas aquela frase fez-me um "clic". Foi uma coisa simples, e foi uma conclusão à qual eu já deveria ter chegado há muito tempo, mas , foi-me dita na altura exacta!!!
Saí de casa do Duarte e fui para casa, liguei o computador como sempre e o João já lá estava à minha espera. Depois do primeiro "clic", veio então o segundo... o João estava sempre à minha espera, falávamos horas de tudo e mais alguma coisa, ele mesmo virtualmente mimava-me tanto... de facto, a pessoa que eu queria, estava ali, uns bites ao lado, só que só naquele dia, me começei a aperceber, que se calhar, eu já não o via só como amigo. Na realidade, estava tão empenhada em manter a relação com o meu namorado, que nem sequer me tinha passado nada do genero pela cabeça.
Nessa semana, aceitei o pedido que o João já tinha feito inumeras vezes, e combinámos encontrar-nos dia 18. No dia antes, tentei desmarcar, não queria que ele me conhecesse pessoalmente, não queria desiludi-lo e acabar com uma relação que eu gostava tanto. Então, recebi um email, com um postal eletrónico... dizia "meu coração é teu".
Amo-te João... o meu coração também é teu!
sexta-feira, 20 de junho de 2008
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